Posts de Agosto, 2007

Tímidos passos no show de Dolores O’Riordan em Porto Alegre

30/08/2007

Crédito: Matheus Piovesan

 Com um sorriso no rosto e um andar tímido, Dolores O’Riordan chega ao palco do Teatro do Bourbon Country pontualmente às 20h, horário previsto para o início do show. É a primeira vez que a vocalista do Cranberries, em recesso desde 2003, vem ao Brasil. A turnê do primeiro disco-solo “Are You Listening?” segue no dia 28 para São Paulo.

Dolores entrou com uma guitarra em punho ao som de “Zombie”, clássico do Cranberries. O rosto de feições delicadas contrasta com a postura rock ‘n’ roll da irlandesa, que sacudia os cabelos de um lado para outro freneticamente. Mais três canções foram executadas e um momento de grande espera pelo público chegou: “Linger”. O primeiro e grande sucesso dos Cranberries foi anunciado pela frase “Vou levar vocês para 16 anos atrás”, data em que a música foi concebida.

Crédito: Matheus Piovesan

Dolores tocou flauta em “Human Spirit” e criou um clima misterioso em “October”. A irlandesa ainda cantou segurando uma bandeira do Brasil e fez várias danças com um esquilo de pelúcia, ambos entregues pelos fãs.

A canção “Salvation” resultaria numa roda-punk se as pessoas tivessem um pouco mais de intimidade com shows de rock. O público adulto, na sua maioria, exprimia a excitação com receosos passos ritmados. “I Can’t Be With You”, “Free To Decide” e “Loser” conferiram os pontos altos da apresentação.

Crédito: Matheus Piovesan

“Esta é a última”, anunciou Dolores antes de cantar “When We Were Young”, música que traduz o sentimento da platéia presente, que relembrava ali sua juventude. “Engraçado como as coisas soavam melhor quando nós éramos jovens”, versa a letra. Um “Obrigado Brasil” foi dito antes do bis.

Crédito: Matheus Piovesan

Quando a cantora voltou ao palco para cantar “Ode To My Famlily”, dezenas de balões vermelhos estavam em movimento, segurados pelo público. Ettiene Sipp revela que a idéia surgiu numa comunidade do Cranberries no Orkut. “É para diferenciar os shows do Brasil dos outros”, explica. O empregado público trouxe sacos de balões para distribuir na fila do show e levou para casa a baqueta do baterista. A ação será repetida pelos fãs paulistanos.

O show fechou com “Dreams” e uma certeza: “Foi mágico”, afirma Paula Machado, que trabalha em um cartório. Para ela, “Ode To My Family” foi uma das melhores por abordar sentimentos fortes que numa certa parte da vida todos sentem. Renata Appel, microempresária, comenta: “Fiquei em estado de êxtase”. Em “Animal Instinct” ela confessa que quase chorou.

Crédito: Matheus Piovesan

Dolores tem uma voz poderosa e um vigor físico surpreendente para uma mulher de quase 36 anos. É dona de um estilo de dança muito peculiar. Ela faz uma pose que dura instantes e, em seguida, volta a caminhar pelo palco para, momentos depois, posar novamente. “Eu espero nos vermos de novo”, disse. E saiu do palco, pulando.

Ninguém pode com Jason Bourne

26/08/2007

Após uma série de fim de trilogias que deixou a desejar (“Piratas do Caribe”, “Homem-Aranha”), surge finalmente uma seqüência com qualidade inquestionável: “O Ultimato Bourne”, do diretor Paul Greengrass. Ele encerra o ciclo sobre o mistério ao redor de Jason Bourne, um homem cheio de habilidades (maneja armas, fala várias línguas, entende de espionagem) e que não lembra quem é.

 

Em “A Identidade Bourne” (2002), o protagonista começa a resgatar seu passado.  Depois, tenta esquecer tudo e recomeçar em “A Supremacia Bourne” (2004), mas os antigos fantasmas voltam para atormentá-lo. Agora, já descobriu ser um ex-agente do CIA, a Agência Central de Inteligência norte-americana, embora ainda não entenda por que é constantemente perseguido em qualquer lugar que vá. “O Ultimato” consegue responder aos questionamentos do personagem interpretado por Matt Damon e também aos dos expectadores. A trama é bem construída, com retomadas de fatos já ocorridos. Assim, mesmo quem não lembra de detalhes das produções anteriores, entende, no final, a história como um todo.

Na tela, aparece um mundo implacável, onde só existem os que matam e os que mandam matar. Uma vida não vale nada quando está em jogo a imagem de uma poderosíssima instituição. Os “executores” se encarregam de qualquer ameaça ao sistema. Nem mesmo quem faz parte dele está livre.

Ritmo eletrizante. As cenas de ação dominam boa parte das quase duas horas do longa. Alguém pode achar que é muito para ver um homem correndo feito um louco por Moscou, Londres, Madri, Nova York. Mas a vontade de terminar de montar o quebra-cabeça prende a atenção. Além disso, os momentos de perseguição valem por si só. Como na maioria dos filmes do gênero, há exageros – dois acidentes espetaculares de carro não seriam suficientes para causar graves ferimentos em um ser humano que não usa cinto de segurança? Tudo bem, Bourne manca. Aliás, manca boa parte do tempo, o que não o impede de massacrar seus caçadores.

Faltou o par romântico. Apesar das insinuações da ex-colega agente Nicky Parsons (Julia Stiles, completamente insossa), nada quebra a muralha gelada do homem-máquina. Nem um pingo de sentimentalismo. Na verdade, ele deve ter receio de estabelecer contato ou se relacionar com outras pessoas, pois elas têm uma incrível tendência à morte quando isso acontece. O personagem parece não ter exigido muito do talento interpretativo de Damon. Bastou o esforço físico.

“O Ultimato” é o melhor dos três. Além de dar respostas, costura com habilidade todos os pontos da narrativa. E só a última cena já vale o ingresso.

 

Caso ainda não esteja convencido, assista ao trailer: