
Com um sorriso no rosto e um andar tímido, Dolores O’Riordan chega ao palco do Teatro do Bourbon Country pontualmente às 20h, horário previsto para o início do show. É a primeira vez que a vocalista do Cranberries, em recesso desde 2003, vem ao Brasil. A turnê do primeiro disco-solo “Are You Listening?” segue no dia 28 para São Paulo.
Dolores entrou com uma guitarra em punho ao som de “Zombie”, clássico do Cranberries. O rosto de feições delicadas contrasta com a postura rock ‘n’ roll da irlandesa, que sacudia os cabelos de um lado para outro freneticamente. Mais três canções foram executadas e um momento de grande espera pelo público chegou: “Linger”. O primeiro e grande sucesso dos Cranberries foi anunciado pela frase “Vou levar vocês para 16 anos atrás”, data em que a música foi concebida.

Dolores tocou flauta em “Human Spirit” e criou um clima misterioso em “October”. A irlandesa ainda cantou segurando uma bandeira do Brasil e fez várias danças com um esquilo de pelúcia, ambos entregues pelos fãs.
A canção “Salvation” resultaria numa roda-punk se as pessoas tivessem um pouco mais de intimidade com shows de rock. O público adulto, na sua maioria, exprimia a excitação com receosos passos ritmados. “I Can’t Be With You”, “Free To Decide” e “Loser” conferiram os pontos altos da apresentação.

“Esta é a última”, anunciou Dolores antes de cantar “When We Were Young”, música que traduz o sentimento da platéia presente, que relembrava ali sua juventude. “Engraçado como as coisas soavam melhor quando nós éramos jovens”, versa a letra. Um “Obrigado Brasil” foi dito antes do bis.

Quando a cantora voltou ao palco para cantar “Ode To My Famlily”, dezenas de balões vermelhos estavam em movimento, segurados pelo público. Ettiene Sipp revela que a idéia surgiu numa comunidade do Cranberries no Orkut. “É para diferenciar os shows do Brasil dos outros”, explica. O empregado público trouxe sacos de balões para distribuir na fila do show e levou para casa a baqueta do baterista. A ação será repetida pelos fãs paulistanos.
O show fechou com “Dreams” e uma certeza: “Foi mágico”, afirma Paula Machado, que trabalha em um cartório. Para ela, “Ode To My Family” foi uma das melhores por abordar sentimentos fortes que numa certa parte da vida todos sentem. Renata Appel, microempresária, comenta: “Fiquei em estado de êxtase”. Em “Animal Instinct” ela confessa que quase chorou.

Dolores tem uma voz poderosa e um vigor físico surpreendente para uma mulher de quase 36 anos. É dona de um estilo de dança muito peculiar. Ela faz uma pose que dura instantes e, em seguida, volta a caminhar pelo palco para, momentos depois, posar novamente. “Eu espero nos vermos de novo”, disse. E saiu do palco, pulando.