Posts de Março, 2008

Um rock pouco usual

23/03/2008

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O nome soa estranho. O estilo, mais ainda. Mas não é que o rock cristão feito pela banda norte-americana Relient K (leia-se “relaiant quei”, em referência ao Plymouth Reliant K, o carro do guitarrista Matt Hoopes) supera as expectativas? Talvez não seja nenhuma revolução no mundo da música, mas o pop punk dos cinco jovens de Canton, Ohio, consegue contagiar e fazer com que as pessoas esqueçam qualquer estereótipo que poderia vir à mente junto com a palavra “cristão”.

Formado em 1998, ainda durante os tempos de colégio, o grupo lançou o primeiro álbum, o homônimo Relient K, em 2000. Mas o reconhecimento veio com Two Lefts Don’t Make a Right… but Three Do, de 2003, que rendeu uma indicação ao Grammy de melhor álbum de rock gospel. No Brasil, a primeira (e única) música a fazer um relativo sucesso foi Who I Am Hates Who I’ve Been, do cd Mmhmm (2004), que teve seu clipe tocado nas paradas em 2005.

Em março de 2007, surgiria o último álbum, Five Score and Seven Years Ago, o qual é o mais alegre, segundo a própria banda. Must Have Done Something Right, o primeiro single, traduz esse pensamento, ao contar a clássica história de dois jovens apaixonados que não se deixam abalar pelos comentários maldosos de pessoas invejosas e seguem em frente. Já a temática religiosa aparece com mais força em Forgiven (“E eu sei que fui perdoado/ E só espero que você possa me perdoar também”), mas mesmo assim não é explícita. Apenas através de um exame mais detalhado das letras é possível percebê-la. E o rock continua sendo bom. Este cd tem diversas faixas excelentes, vale a pena conferir I Need You, The Best Thing e Come Right Out And Say It.

Alguns fatos, porém, contribuem para uma certa desconfiança em relação ao grupo. Várias canções foram destinadas especificamente às rádios cristãs e dois álbuns especiais possuem somente músicas natalinas.

Mas parece que nem toda essa devoção ao Senhor foi suficiente para livrá-los de uma tragédia. Em maio de 2007, o ônibus que usavam numa turnê pegou fogo, resultando em muitas perdas materiais (ninguém se feriu). Para piorar a situação, o vocalista Matt Thiessen disse que seu laptop, com cerca de 100 músicas incompletas, havia sido destruído também.

Atualmente, o Relient K se prepara para a Warped Tour 2008, que deve passar por vários locais dos EUA a partir de junho. E mesmo que após ler este texto, você vá a uma loja, compre um cd e vire fã, não crie ilusões… O Brasil ainda não está preparado para receber uma banda de rock cristão.

Dá uma olhada no clipe de Must Have Done Something Right:

PS: Clipes não são o forte deles.


A redescoberta da Soul Music

12/03/2008

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Sopros e marcação forte atrás de uma voz potente. Isso é soul music em sua técnica, mas notas musicais tocadas ao acaso não provocam qualquer reação. É o sentimento de cada acorde unido a uma boa letra que faz uma canção. E este é o efeito que acende a fogueira chamada soul music.

Os responsáveis por manter a chama acesa, no momento, são Sharon Jones e os Dap-Kings. A união entre uma cantora, que fez parte da velha guarda da música negra americana, com os rapazes que tomaram água do velho Mississipi. O resultado é um balanço de peso sem qualquer efeito eletrônico. As gravações feitas no velho estilo Motown, todos os músicos dentro do estúdio como se estivessem tocando ao vivo, dá o toque visceral às melodias que falam dos amores perdidos e noites embriagantes.

Para os amantes do soul, Sharon Jones, 51 anos, é a uma cara nova, apesar de na década de 70 ter feito backing vocal para diferentes grupos de funk e disco. Sua voz potente juntou-se aos Dap Kings em 1996. Homer Steinweiss, Binky Griptite, Bugaloo Velez, Dave Guy, Tommy ‘TNT’ Brenneck, Bosco Mann, Neal Sugarman, Ian Hendrickson-Smith são os músicos que apostam em equipamentos analógicos e num som potente.

Do encontro de gerações nasce uma substância explosiva que aparece em 2001 no disco “Dap Dippin”, gravado pela Daptone Records, uma pequena gravadora no coração do Brooklyn, em New York. Ela aposta nos moldes da Motown, uma casa cheia de gravadores de rolo, pianos elétricos e equipamentos analógicos. Esse casamento deu origem a mais dois discos, “Naturally” em 2005, e o elogiado “100 Days, 100 Nights” de 2007. O álbum rendeu frutos aos Dap Kings: uma parceria com Mark Ronson e Amy Winehouse para a gravação do CD “Back to Black” da cantora. Os cinco Grammys que o disco ganhou em 2008 comprovam que boas canções tocadas por músicos de qualidade atravessam o tempo. Salve a boa e velha soul music, salve Sharon Jones e os Dap-Kings.

*Recomendo o vídeo da música “100 Days, 100 Nights” do último álbum com o mesmo nome. Uma canção, que como todo o soul, fala da espera durante 100 dias e 100 noites por um homem de outra. O vídeo tem esse jeito de antigo, mas não se enganem, como a música ele é bem atual.